sexta-feira, 18 de março de 2022

Roman Abramovich

Em defesa de um dos homens mais odiados do Reino Unido 

O proprietário do Chelsea, Roman Abramovich, com um cartaz 'Nós lembramos' assinalando o Dia Internacional da Memória do Holocausto em 2018 (via Jewish News) 

 

Os britânicos têm uma relação estranha com a riqueza. Eles ficam muito felizes por serem os “facilitadores” que ajudam os ricos a gastar e garantir a sua riqueza. Mas eles também se ressentem das fortunas e consumo conspícuo e ficam muito satisfeitos em ver os novos-ricos humilhados. 
O magnata do petróleo, das propriedades e do futebol Roman Abramovich é um exemplo disso. Quando ele chegou a estas praias há quase duas décadas e resgatou o Chelsea Football Club das mãos do magnata Ken Bates, o misterioso oligarca judeu russo – amigo do Kremlin – foi saudado como um herói conquistador. 
Quando primeiro a Crimeia e agora toda a Ucrânia foram transformadas num cemitério fumegante pelo bombardeio russo, Abramovich, por causa das suas supostas conexões com um demente Vladimir Putin, tornou-se um alvo substituto para os males de Moscovo. 
O prazer com que Chris Bryant, do Partido Trabalhista, escolheu denegri-lo na Câmara dos Comuns, usando a protecção do privilégio parlamentar, foi mais ilustrativo das deficiências do próprio deputado do que das de Abramovich.

 


Nota nossa: o Russian Insider tem dedicado algum carinho ao colorido deputado trabalhista Chris Bryant, um dos delfins do Marxista-Estalinista-Maoista, pró-jihadista e antissemita Jeremy Corbyn.

 
Sim, as origens da riqueza do proprietário do Chelsea, acumulada no caos da economia do Oriente Selvagem de Boris Yeltsin, são controversas. E como outros oligarcas e líderes, incluindo o rei Abdullah II da Jordânia (recentemente exposto no vazamento de documentos do Credit Suisse), ele usou uma variedade de dispositivos para diversificar e garantir a sua riqueza com segurança. 
É disso que trata a ‘lavandaria’ de Londres, por meio da qual especialistas jurídicos e contabilistas criam estruturas de empresas anónimas em lugares distantes. Mas a ideia de que sancionar os oligarcas – especialmente aqueles como Abramovich, que construíram vidas secretas paralelas fora da Rússia – vai silenciar os mísseis de cruzeiro lançados sobre a Ucrânia é uma fantasia. 
Como titular de bilhete para duas temporadas no Chelsea Football Club, pode-se pensar que eu (em comum com os fãs que cantam o seu nome nos jogos da Premier League) tenho razões especiais para não menosprezar Abramovich. 
Não é todos os dias que o dono de um grande clube de futebol europeu decide, da noite para o dia, engolir 1,5 bilhão de libras em dívidas para garantir que a equipa tenha um futuro sob um novo proprietário. 
Abramovich não é uma figura fácil de conhecer ou admirar. Ao longo dos anos, encontrei-o várias vezes. Há uma curiosa qualidade de esfinge entre os oligarcas que não pode ser penetrada. 
Quando a Grã-Bretanha removeu o seu visto de negócios e o magnata russo migrou para Israel, a sua vingança foi cancelar a imaginativa reconstrução de 2 bilhões de libras de Stamford Bridge, depois de ter passado anos a estabelecer um projecto. 
O seu interesse pela Grã-Bretanha, não apenas pelo Chelsea, mas também por erradicar o anti-semitismo e a lembrança da Shoah, permaneceu inalterado. 
Os visitantes das brilhantes galerias do Holocausto no Museu Imperial da Guerra verão uma placa comemorativa da doação de Abramovich. 
Sem dúvida, Bryant e a brigada politicamente correcta vão querer ver isso eliminado. Os murais criados em Stamford Bridge para comemorar a vida dos jogadores de futebol judeus que morreram no Holocausto, sem dúvida serão considerados excedentes. 
Acabar com o antissemitismo nos campos de futebol é um trabalho em andamento. O CFC pelo menos procurou enfrentá-lo de frente nos jogos, nos programas de acção e numa série de seminários. 
Numa dessas reuniões, ficámos a saber como Abramovich foi atacado nas redes sociais, não pelas suas conexões com Putin, mas porque ele é judeu. 
Uma combinação de riqueza extensa e possivelmente mal adquirida, conexões com Putin e crueldade e frieza pessoais não fazem do ex-proprietário do CFC uma pessoa de quem se goste. 
No entanto, a difamação pela sua origem judaica é inaceitável.

Alex Brummer

Times of Israel /Jewish News


COMENTÁRIO


 

Não podemos dizer que ficámos surpreendidos com a erupção de antissemitismo provocada pelas possíveis irregularidades na atribuição da nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich. 
Publicações esquerdistas e visceralmente antissemitas e pró-islâmicas como o Al-Público, obviamente, exultam. Mas na Direita também há quem aproveite esta oportunidade de reviver esses gloriosos três séculos e meio em que os judeus foram queimados vivos pelo crime de terem nascido judeus. 
Como de costume, o antissemitismo é a única coiQuem tratou do processo de naturalização de Abramovich já foi condenado antes de ser julgado, como seria de esperar.  E é cada atrocidade que se ouve por aí... Imaginam alguns doutos ignorantes que não é possível traçar uma árvore genealógica até ao século XVI. Culpam o Abramovich por este apoiar causas judaicas, o malandro!  
Antissemitismo: a única coisa que une a Esquerda e a Direita, os crentes e os ateus, todos os que padecem do ódio mais antigo do mundo. 
Segundo o conhecido axioma, "se 'toda a gente' odeia os judeus, então é porque há 'alguma coisa errada' com eles". Para quem entende o absurdo desta proposição, não adianta aprofundar. Para quem não o entende, também não.


P.S.: E não, o Abramovich não nos pagou nada para traduzirmos este artigo. Mas se ele quiser oferecer-nos uma garrafa de vodka, uma latinha de caviar, ou mesmo algum dinheiro, aceitamos! Há anos que aguardamos que se materialize a habitual acusação de que "somos pagos pelos 'zionistas'". Mas os "zionistas", moita-carrasco... 

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